Ary em campanha

Ary Barroso


Um homem apaixonado pela vida e pela boemia, além de rigorosamente fiel às suas posições e aos interesses do povo e do Brasil.
Assim era o mineiro de Ubá Ary Barroso, carioca por amor e adoção e que enalteceu a Bahia em seus sambas, sem nunca ter pisado na santa terrinha. E que o destino fez morrer num domingo de carnaval, 9 de fevereiro de 1964, justamente no momento em que a Escola de Samba Império Serrano se preparava para desfilar com o enredo "Aquarela do Brasil", em sua homenagem.

Apaixonado por samba, futebol - era flamenguista roxo - e carnaval, Ary, compositor, pianista, radialista, jornalista e locutor esportivo também foi o vereador da UDN (União Democrática Nacional) que conseguiu o apoio decisivo da bancada majoritária de 18 vereadores do PCB (Partido Comunista Brasileiro) para a construção do Estádio do Maracanã. Negociou, na época, a garantia do prefeito de que construiria cinco pequenos estádios de futebol no subúrbio - o que acabou não sendo feito -, segundo projeto dos parlamentares comunistas.
Nacionalista, o compositor da música-hino Aquarela do Brasil não hesitou em largar o sucesso na Broadway, na trilha de Carmem Miranda, para voltar a trabalhar duro no Brasil. Era 1947 e, na onda de redemocratização do pós-guerra, Ary Barroso usou a força do rádio para se eleger para a Câmara de Vereadores do Distrito Federal de então (Rio de Janeiro hoje), quando foi reaberta, após fechada uma década pela ditadura do Estado Novo.
Flamengo
Inteligente e bem humorado, contudo, Ary não se poupava em garra e eloqüência ao defender nossos valores no rádio e na televisão. Firmeza e fidelidade aos seus princípios que manteve em seu único mandato, sacrificando, dizem, a reeleição por não temer a campanha desencadeada por alguns motoristas de táxi que não se conformavam com um projeto seu que proibia o uso de ruas e praças como oficinas, sujando-as e perturbando a circulação das pessoas.
Em algumas situações, quando vereador, Ari estava à frente de sua época, como quando propôs a coleta seletiva de lixo, em 1949. Ou quando tentou criar um órgão de defesa civil, o que só aconteceu duas décadas depois, após os temporais de 1966 e 1967. E, ainda, teve muita repercussão seu projeto que parcelava as dívidas dos contribuintes municipais em dez parcelas. O fundador e presidente da Sbacem - Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Editores de Música também tentou lançar o "Selo de Circulação do Disco Estrangeiro, rejeitado por ser considerado inconstitucional, que custaria 20% do preço de cada disco. Desse valor, um quarto seria usado na premiação das melhores gravações de músicas nacionais. Morador da rua que ganhou seu nome, no Leme, a Ladeira Ary Barroso, apadrinhava muitos boêmios, na vizinha favela Chapéu Mangueira e foi assim que ajudou a comunidade a conseguir luz, limpeza e policiamento, graças ao seu mandato.

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