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Ong ajuda a mudar a vida de 400 crianças
 
     
 
Grupo administra 10 projetos em comunidades carentes do Rio
 
     
               Daniela Dariano - Repórter do JB  
     
 

A antropóloga americana Margaret Mead (1901-1978) sentenciou: ''Nunca acredite que um grupo pequeno de indivíduos solidários não pode mudar o mundo. Na verdade, estes são os únicos que sempre mudaram''. O trabalho da Ong beneficente Amar, com apenas quatro funcionários, comprova a tese, ao transformar, para melhor, o mundo de 400 crianças de favelas do Grajaú e da Tijuca, além de Duque de Caxias, Acari e Ramos. Com sede na Rua Barão do Bom Retiro, Grajaú, a entidade desenvolve o programa A caminho da cidadania, que engloba mais de 10 diferentes projetos para crianças e adolescentes carentes.

 
 
     
 

Um grupo de 20 ex-meninos de rua - hoje adolescentes e adultos que recebem uma bolsa mensal - ajuda a formar a equipe. Retirados das ruas com a ajuda do trabalho desenvolvido na Cinelândia pelo mesmo grupo que hoje forma a Amar, há três anos eles procuraram uma das coordenadoras dos trabalhos, a irmã Adma Cassab Fadel.

- Eles nos procuraram e disseram: ''queremos que nos ensinem a fazer pelos outros o que vocês fizeram por nós - diz a irmã salesiana, que acredita fazer mais do que um trabalho. Cumpre, segundo ele, uma missão que não acaba enquanto houver criança sofrendo.

Um dos principais focos do A caminho da cidadania é a profissionalização, com um trabalho chamado Buffet pão com banana, que forma jovens garçons e cozinheiros.

- Os próprios alunos deram o nome, que vem da idéia de que o pobre, quando não tem nada para comer, come pão com banana, porque é barato - conta o professor Roberto José dos Santos, outro coordenador da Ong patrocinada por um casal de americanos e pelas empresas Docas, C&A, Bavaria e Klabin.

Além disso, o pequeno sobrado do Grajaú, cedido por um médico, oferece reforço de escolaridade e apoio nutricional para crianças de favelas. Para a maior parte das crianças do Morro dos Macacos ou do Morro da Cachoeirinha, é a oportunidade única de terem aulas de informática e inglês.

O projeto Padrinhos, também desenvolvido ali a partir da idéia de ''adoção a distância'', beneficia 98 crianças. Famílias italianas e alemãs se comprometem a ajudar uma criança enquadrada como abaixo da linha da pobreza com um valor enviado mensalmente. Em troca, o ''afiliado'' lhes envia cartinhas traduzidas pela Amar, que acompanha o uso do dinheiro, garantindo que será investido em material escolar, alimentação, vestuário.

- Uma menina da Baixada escreveu pedindo ajuda para construir o banheiro. Ela explicou que tinha vergonha de ir ao mato - conta Roberto.

Um novo projeto surgiu da fusão do Padrinhos com o Buffet. Uma casa maior, no mesmo bairro, hospedará estrangeiros em intercâmbio para trabalho voluntário na Amar. Ainda em negociação e à espera de financiadores para a empreitada, o imóvel será, ao mesmo tempo, um espaço para estágio dos aprendizes de cozinheiro, garçons e camareiros.

 


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